quarta-feira, 1 de agosto de 2007

a elisão impossivel


Há um texto do Àlvaro Lapa sobre o corpo e há uma «apresentação do rosto» que o Herberto Helder simplesmente elidiu do seu canone num gesto de quem não quer conviver com o que conviveu, porque esse texto não morre nem escapa ao canone nem à posteridade apenas fica adiado editorialmente na não-reedição e eu não li a apresentação desse rosto, só umas citações dessa apresentação e estava num avião a escrever com/contra o texto do Lapa e pensei, não me posso esquecer das coisas e perdi o texto que achei que estava brilhante de tão escarafunchoso que era em defenir o estado do corpo, a propagação do corpo como residuo de conceitos a quererem continuar por aí fora na nossa pele, que não é muito bem sentir as pernas e tornar mais vigilantes e acutilantes cada um dos músculos que é a possibilidade de cada parte não se deixar morrer e antes pelo contrário nos fazer aperceber essa temível, mas não tenebrosa, coisa que diriamos energética, porque nos falta palavra menos vulgar e mais apropriável, e não sei se posso dizer, como os místicos, que o corpo é já o mundo, na sua desgraça e no seu melhor, se é que através do corpo, saudável ou doente, entramos na plenitude alegre ou dolorosa dos estados do mundo.

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