
E os canticos dos canticos atavam-se à sua pose tão doce e marmoreada, e tão embriagante como os vinhos mais embriagantes em que o rosto nos apetece como núpcia vindoura no que nesta é sexual até à metáfora mais repelente passando por todas as apelativas, as frutas, vinhedos, tâmaras, frescas sombras, amplas taças, frondosos leitos, carnes morenas ou lácteas, animais possantes, graciosas gazelas, excentricos elefantes, amaneiradas girafas, temíveis e arredondados hipópotamos, côxas possantes, nádegas reluzentes, volumosas jarras, perfumes afrodisíacos, coisas que são comparáveis a rios no que nestes é impressionante, dedos que procuram instrumentos músicais sobretudo harpas e flautas, e por aí adiante.
(a escrita não anda em círculos à procura do que deve ou não deve, porque não tem contas a pagar na mercearia nem no talho, nem dívidas a senhorios, escrita é assenhoramento, suserania sem suseranos, dignidade de querer e mandar sem andar a explorar vivos ou mortos, escrita é sobrevivencia de renascimentos, jogo com linguagem a jogar com outras coisas, a tentar fulminar o mundo com uma magia muito lenta e serenamente eficaz nos proveitos híbridos – mesmo neste canto infímissimo do mundo que teimamos designar como se fosse mais que o mundo, as palavritas contaminam, o mais provávelmente para sempre, um «universo» dito esfriante, e a escrita é o calorzinho dentro do frio enorme que nos faz olhar as estrelas como uma imensidão que é aconchegável na supositória alma)
(a escrita não anda em círculos à procura do que deve ou não deve, porque não tem contas a pagar na mercearia nem no talho, nem dívidas a senhorios, escrita é assenhoramento, suserania sem suseranos, dignidade de querer e mandar sem andar a explorar vivos ou mortos, escrita é sobrevivencia de renascimentos, jogo com linguagem a jogar com outras coisas, a tentar fulminar o mundo com uma magia muito lenta e serenamente eficaz nos proveitos híbridos – mesmo neste canto infímissimo do mundo que teimamos designar como se fosse mais que o mundo, as palavritas contaminam, o mais provávelmente para sempre, um «universo» dito esfriante, e a escrita é o calorzinho dentro do frio enorme que nos faz olhar as estrelas como uma imensidão que é aconchegável na supositória alma)

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